FEDERAÇÃO CONEAFRO: 🚨 Intolerância Religiosa Não é Opinião: O Brasil Precisa Enfrentar o Racismo Religioso

O Brasil assiste, mais uma vez, a um grave episódio de intolerância religiosa e racismo contra os povos de matriz africana.

As declarações realizadas pelo Padre Jonathan Costa, durante celebração no Santuário de São Domingos de Gusmão, em Araxá/MG, ao associar religiões afro-brasileiras ao satanismo e a práticas criminosas envolvendo a Eucaristia, provocaram forte indignação entre lideranças religiosas, entidades representativas e comunidades tradicionais de terreiro em todo o país.

As falas ultrapassam os limites da divergência religiosa e reforçam estigmas historicamente utilizados para marginalizar, perseguir e demonizar tradições afro-brasileiras como Umbanda, Candomblé e Jurema Sagrada.

Um discurso que contradiz o próprio movimento da Igreja Católica

O episódio ocorre justamente em um momento histórico de reconhecimento e reflexão dentro da própria Igreja Católica.

Recentemente, o Papa Leão XIV reconheceu publicamente que a Igreja demorou séculos para condenar a escravidão e pediu perdão pelo papel histórico exercido por setores da instituição na legitimação da escravização de povos africanos e no apagamento cultural de diversas populações consideradas inferiores durante o período colonial.

Ao classificar esse passado como uma “ferida na memória cristã”, o pontífice sinalizou a necessidade de reconstrução histórica, respeito às diferenças e fortalecimento do diálogo entre os povos e suas espiritualidades.

Por isso, quando uma autoridade religiosa utiliza o altar para associar religiões afro-brasileiras ao mal, sua fala não atinge apenas os povos de terreiro.

Atinge diretamente os esforços de reconciliação, respeito e reconhecimento histórico defendidos pela própria liderança máxima da Igreja Católica.

Racismo religioso produz violência real

O racismo religioso não é apenas uma questão de opinião ou divergência de fé.

Ele produz consequências concretas.

Ao longo da história do Brasil, religiões de matriz africana foram perseguidas, criminalizadas e silenciadas. Terreiros foram invadidos, símbolos sagrados destruídos e lideranças religiosas violentadas física e moralmente.

Ainda hoje, comunidades tradicionais enfrentam preconceito, discriminação e ataques constantes motivados pela intolerância religiosa.

Discursos que associam religiões afro-brasileiras ao satanismo reforçam exatamente esse cenário de violência e exclusão.

Nenhuma religião precisa atacar outra para defender sua própria fé.

Nenhum espaço religioso deve ser utilizado como instrumento de humilhação, preconceito ou demonização de culturas ancestrais.

Religiões de matriz africana são patrimônio cultural do Brasil

As religiões afro-brasileiras carregam séculos de ancestralidade, resistência e preservação cultural.

São espaços de acolhimento, assistência social, fortalecimento comunitário, transmissão de saberes ancestrais e proteção da memória afro-brasileira.

Além de sua importância espiritual, representam parte fundamental da identidade cultural do país.

Respeitar essas tradições não é favor.

É dever constitucional, compromisso democrático e obrigação moral de toda sociedade.

O que diz a legislação brasileira

A Constituição Federal garante a liberdade religiosa e o livre exercício dos cultos.

A Lei nº 7.716/1989 criminaliza atos de discriminação e preconceito.

O Estatuto da Igualdade Racial assegura proteção aos povos de matriz africana e aos seus espaços de culto.

O Supremo Tribunal Federal também já reconheceu que ataques sistemáticos contra religiões afro-brasileiras configuram expressão de racismo religioso.

Um posicionamento necessário

Diante dos fatos amplamente divulgados, diversas entidades religiosas, culturais e institucionais manifestaram repúdio às declarações realizadas em Araxá/MG e reforçaram a necessidade de combate à intolerância religiosa no Brasil.

A defesa da liberdade religiosa não pode existir apenas para algumas crenças.

Ela deve proteger igualmente todas as expressões de fé.

O Brasil é plural.

O Brasil é diverso.

O Brasil é indígena, negro, afrodescendente, cristão, espírita, umbandista, candomblecista e formado por inúmeras manifestações espirituais que merecem respeito e dignidade.

Enquanto alguns insistem em repetir os erros da história, milhares de pessoas seguem defendendo a cultura de paz, a convivência democrática, a ancestralidade e o direito de cada povo existir sem medo de perseguição religiosa.

📢 Jornal do Axé
🌐 www.jornaldoaxe.com.br

🌐 www.coneafro.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima