
NA HORA DA DOR, O PRECONCEITO NÃO PERGUNTA A SUA NAÇÃO: POR QUE A UNIÃO DE TODAS AS VERTENTES É A NOSSA ÚNICA SAÍDA?
Meu irmão, minha irmã de fé, receba o meu abraço e o meu respeito.
Vamos conversar aqui, de coração aberto, olhando nos olhos. Se tem uma coisa que a história nos ensinou, é que o preconceito é cego. Quando um intolerante decide atacar um terreiro, quando um vizinho age com maldade ou quando um fiscal mal-intencionado bate à porta, ele não quer saber se a sua casa bate Umbanda, se é Candomblé de Keto, de Angola ou Gege. Ele não quer saber se o seu fundamento envolve a Jurema Sagrada ou se ali se cultua a Kimbanda. Para o opressor, tudo é uma coisa só. Para ele, o nosso sagrado é o alvo.
E por que eu estou te dizendo isso? Porque, infelizmente, a gente ainda vê por aí algumas divisões que só enfraquecem o nosso povo. É casa de Candomblé achando que não tem nada a ver com o problema da Umbanda; é umbandista se afastando da Kimbanda; é o povo da Jurema achando que está isolado de tudo. Meu irmão, se o chicote bate nas costas de um, a ferida dói no corpo de todos nós.
A Federação Coneafro quer propor uma reflexão urgente para você: se a dor é a mesma para todos, por que a nossa defesa também não é unificada?
Nós precisamos entender, de uma vez por todas, que organizar e proteger o Axé é uma missão universal. É por isso que quando pensamos em ferramentas de apoio — como a distribuição gratuita do livro Lei e Direitos que estamos promovendo junto a parceiros —, a primeira preocupação foi criar algo que servisse para todas as vertentes. Sem distinção, sem exclusão.
Se você é um Babalorixá de Candomblé com trinta filhos de santo ou um Dirigente de Umbanda em um terreiro pequeno de periferia, os seus deveres civis e os seus direitos constitucionais são exatamente os mesmos. O direito de ter um CNPJ para proteger o patrimônio da casa, a garantia de imunidade fiscal para não pagar impostos abusivos, o direito de dar assistência espiritual em hospitais e cemitérios, e o amparo legal para realizar um casamento religioso com efeito civil pertencem a todo o povo de terreiro.
Como as nossas lideranças debateram fortemente nos últimos dias, o poder ancestral não ficou no passado, ele é um projeto de futuro. E esse futuro só se constrói se a gente aprender a confluir. Os terreiros são a síntese da nossa recomposição territorial e cultural. Cada casa de santo é uma embaixada da nossa ancestralidade na Terra. E nenhuma embaixada pode ficar desprotegida.
Organizar a sua casa documentalmente, tirar a sua credencial sacerdotal e entender os caminhos legais para denunciar o racismo religioso não é “virar burocracia”. É criar uma barreira intransponível contra quem quer o nosso fim. É o que chamamos de estratégia contracolonial: usar a inteligência, a lei e a união para garantir a nossa liberdade.
A Coneafro está aqui para firmar esse pacto com você. Não importa o tamanho da sua casa, a sua nação ou os guias que você traz na coroa. Se você bate tambor para o sagrado, você é nosso irmão. E irmão não deixa irmão lutar sozinho.
Vamos erguer esse escudo juntos. Busque a informação, proteja o seu solo sagrado e lembre-se: uma fita isolada se rompe facilmente, mas um feixe de palha de palha de dendezeiro ninguém consegue quebrar.
Que o Axé de todas as nações nos fortaleça hoje e sempre!
CONEAFRO – Conselho Nacional dos Religiosos do Axé
Há mais de 18 anos apoiando religiosos em todo o Brasil.
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